quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Alice


Vejo cores perfumadas,
Sinto o toque da alegria,
O som do abraço da manhã de um  novo dia que nasce
E o gosto doce do nosso lar!

Não sei se vivo?
Ou se sonho?
Se sou real?
Ou uma ilusão?

Mas...
O que torna a ilusão menos que o real?
Dirijo meu corpo ou meu carro,
A-final?

Como Alice,
Encantada
Por encontrar um lugar para viver seu sonho
E transformar ilusão em realidade!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Iniciação Total

Enquanto algo é meu,

Não pode triunfar o EU.

Meus são bens de fortuna,

Meus são amores de homem ou mulher,

Meus são filhos, parentes, amigos,

Meu é o prestígio social de que gozo,

Meus são o corpo e o intelecto.


 

Nada disto, porém, sou Eu.

Eu sou o sujeito central,

Meus são os objetos periféricos.

E esses objetos são velhos companheiros meus,

Crudelíssimos tiranos,

Desde o meu nascimento,

Poucos decênios atrás.


 

Esses objetos são velhos companheiros,

Onipotentes ditadores,

Do gênero humano,

Há muitos séculos e milênios.


 

Haverá esperança de que eu possa

Realizar a minha libertação?

Que eu possa viver, aqui na terra,

Sem esses objetos escravizantes?

Sem esses queridos "meus"?

Sem esses idolatrados fetiches?...


 

Não! Ninguém pode desfazer-se desses ídolos

E continuar a viver.

Já compreendi que iniciação

Não é algo que eu possa adicionar

À minha vida horizontal,

Como um belo enfeite,

Como um colar de pérolas.


 

Compreendi que iniciação,

A morte total desta vida,

E algo inédito e inaudito,

Até agora vivida...


 

Iniciação não é continuação

De algo preexistente.

Não!


 

É o fim de tudo que foi e é.

E o início de tudo que deve ser...

Iniciação é algo virgem,

Um novo "fiat lux" creador.

Não é remendo novo em roupa velha,

Não é vinho recente em odres gastos.

Não!


 

Iniciação é morte total

Do "homem velho",

E ressurreição integral

Do "homem novo".

Nem um átomo da bagagem do ego

Passa para além da fronteira.

Porque o ego só conhece o que é "dele",

E ignora o que é "ele".


 

O meu verdadeiro

Eu nada sabe

Desse mundo dos meus,

Desses pequenos e grandes nadas

Que parecem ser algo.

Iniciação é verdade suprema,

Incompatível com a menor das ilusões.


 

Ergue-te, pois, sobre asas levíssimas,

Meu grande Eu divino,

Meu átomo crístico!

E lá das excelsas alturas

Dominarás todos os "meus",

Sem seres por eles dominado...

-Por Humberto Rohden

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A História das Coisas

História das Coisas é a versão brasileira do documentário de 20 minutos The Story of Stuff de Annie Leonard.

Objetivamente mostra, passo a passo, como nossos padrões de consumo estão diretamente conectados com os nossos atuais problemas ambientais e sociais, servindo de alerta para a urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.

Parabéns à equipe da PERMACULTURA que adaptou o documentário para o Português. Para visualizar em outros formatos clique aqui.


video

Temos a sociedade que queremos e uma mudança de paradigma é necessária e possível. Vejo isso diariamente dentro da minha casa quando meu filho de apenas 6 anos demonstra preocupação com o consumo de água e energia, o uso de sacolas permanentes e o descarte de pilhas. E não sou uma militante verde!!!

Parabéns a todos aqueles que diariamente buscam construir uma sociedade mais digna e consciente de sua força e de suas limitações. Parabéns a todos aqueles que tem a coragem de mudar e, conseqüentemente, servem de exemplo para a mudança de muitas outras pessoas. E, especialmente, parabéns a todos os educadores envolvidos neste processo.

Cabe a cada um de nós começar sua mudança... de sociedade, de consciência, de ambiente e – quem sabe?- de planeta!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Tempos Modernos

Shiiiii
Silêncio!

Na vida:

- Não grite!
- Não chore!
- Não sorria!

Nos bastidores... ( por tras da máscara)

As lágrimas que não chegaram a
c

a
ir


Cantam sua canção de silêncio e inquietação
Expressam... sem expressar
O que não podem mais ser!

De-monstrando
mostrando
mostram-sem poder revelar:
Sentimentos, emoções, alegria, tristeza, raiva, amor, ódio.....
Reações humanas
Esquecidas, caladas, guardadas e escondidas.
Frustações de um Homem que não pode mais
Ser ou Sentir
Sob pena de não mais Ser Humano

Mascarando suas:
Inquietações
Reações
Frustações
No silêncio dos tempos modernos.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Palavras

Duas palavras
no reflexo da luz no mar
a consciência do amor

Entre os dois
O universo
O tempo

Num instante
Repleto de emoção
O belo e eterno!

Lembrado
Na imensidão do tempo
Ou seria do mar?

Através do tempo
A luz revela a consciência
Ou seria o contrário?

Instante
Eterno
Um oceano de emoções

Amor
Mergulhado
Revelando-se... no tempo!

Que leva
e traz
Constroi
e destroi

Cheio de luz
e escuridão
Consciência
e profundidade

De que falava?
luz... mar... tempo...
Que diferença faz
Se tudo é amar?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Mente


Surpresa...
Como uma criança diante do Papai Noel.
Com o globo na mão, estarrecida e sem palavras.
Em suas mãos...
O mistério das muitas verdades e realidades.
- Você pode fazer o que quizer.
A criação é sua!
Vidas, verdades, realidades, sincronicidade.
E o segredo dentro de você...
Só esperando você acreditar...
Em você mesmo!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Onde é que há gente no mundo?

Somente Pessoa poderia ter sido vil e assumido! Nós, seres humanos, não temos humildade nem Humanidade para isto!

Nós nunca erramos,
Jamais nos desesperamos,
Somos sempre benévolos e pacientes!
E nunca, em hipótese nenhuma, seriamos capazes da vileza de julgar os outros!

Quanta desumanidade! Que má pessoa faria isso?!
Talvez um criminoso?
Somos apenas preocupados e cuidadosos!

- E a voz do outro?
- Outro?
- Que outro?

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem
pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Verdades




O meu... Ou o do próximo? A minha ou a sua? Verdades únicas... Certezas incoerentes!
Onde está o respeito?
E a consciência?

Formar inteligencias... Ou criar livres pensadores? Educação ou formação?
Principios cristalizados... Verdades perdidas!

Olhos abertos vêem mais que mentes abertas?
Ponto de vista!

São todos tão espertos... Nem sabem que estão de olhos fechados!
Pensam que só existem as SUAS Verdades.

E mais uma vez o EU!
E assim...
Olhos fechados,
Corações embrutecidos,
Mentes adormecidas,
E mais uma chance perdida!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Esposas de pescadores...


Na despedida um sorriso,
um carinho e um até breve....
No coração a expectativa.

Ao longe um mar de possibilidades,
escolhas corretas a serem feitas,
e muita responsabilidade.

Guiando sua vida,
e a de vários outros...

Que a beira mar esperam seu retorno...
Ansiosos!

O corpo na praia,
e o coração no mar.
A mente aqui e acolá,
sempre a orar e esperar!