sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cristal

Muito frágil e maleável,

Sempre transparente!

Forjada no fogo da dúvida,

Da incompreensão,

Da experiência.


 

Fogo.

Este que me deixou fina e delicada.

Poucos elementos constituem minha individualidade.

Fragilidade.

Minha fraqueza!


 

Um movimento errado...

Quebro!

Entretanto...

Encontrado o equilíbrio,

Nenhum elemento pode ser acrescentando em minha estrutura.


 

Transparência.

Minha força!

Se tens água: vês-me transparente;

Se tens amarelo: vês-me amarela;

Se tens azul: vês-me azul;


 

Assim...

Como posso tomar, formar, transformar tantas formas, cores e sabores diferentes?

E ainda ser uma?

Do que seria feita?

Ou rare-feita?


 

Os que bem me conhecem sabem que sou apenas uma;

Transparente e frágil!

Abandonada de minha frágil,

Individualidade.

Buscando sempre o que há de melhor!!!!


 

domingo, 11 de outubro de 2009

Crianças de um novo Tempo

Nossas crianças são realmente privilegiadas de uma nova Geração, que já trazem agregadas em sua construção os valores de uma nova Humanidade! Valeu Maurício de Sousa!
Daqui a pouco a Magali só vai comer "comida saudável"!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MAGNIFICAT

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!

Álvaro de Campos, 7-11-1933


Mais uma das minhas preferidas de um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Que me fazem refletir sobre o tempo e o Tempo e sobre a diversidade dos multiversos!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Viajor

Viajor, Caminhando faz o caminho. E sozinho descobre. A Luz e a Escuridão; O frio e o calor; O sabor e a cor; De a alguns amar e outros... Menos que amar. Odiar? E a muitos sequer enxergar! Até finalmente compreender, O certo e errado do ser Caminhar!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Exemplo do Cristo

Costumava orar pedindo para que a Chama do Amor Incondicional vibrasse em meu coração, mas - acordada por um tremor de terra - descobri que para se ter Amor é preciso ter Fé!
Neste momento, em que a terra convulsiona precisamos seguir, verdadeiramente, o exemplo do Cristo. Que teve a coragem de pensar diferente, mesmo quando taxado de louco. Que teve força de vontade suficiente para seguir um outro caminho, mesmo incompreendido. E, mesmo quando linchado, surrado e humilhado e tantas atrocidades mais, não duvidou jamais do Pai.
Exemplo de Fé e Abnegação, pois é a força da Fé que constrói o Amor!
Precisamos de Fé para aceitar nossas provações mesmo sem compreendê-las, precisamos de Fé para aceitar o lugar em que estamos e saber que estamos exatamente no lugar no qual desejamos estar.
Fé para - ao invés de corrermos - pararmos, olharmos para traz e estendermos a mão e o coração para aqueles que ficam para traz e sofrem.
Somente com Fé poderemos manter o equilíbrio necessário para levarmos a Paz para os que ainda sofrem na ignorância.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Alice


Vejo cores perfumadas,
Sinto o toque da alegria,
O som do abraço da manhã de um  novo dia que nasce
E o gosto doce do nosso lar!

Não sei se vivo?
Ou se sonho?
Se sou real?
Ou uma ilusão?

Mas...
O que torna a ilusão menos que o real?
Dirijo meu corpo ou meu carro,
A-final?

Como Alice,
Encantada
Por encontrar um lugar para viver seu sonho
E transformar ilusão em realidade!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Iniciação Total

Enquanto algo é meu,

Não pode triunfar o EU.

Meus são bens de fortuna,

Meus são amores de homem ou mulher,

Meus são filhos, parentes, amigos,

Meu é o prestígio social de que gozo,

Meus são o corpo e o intelecto.


 

Nada disto, porém, sou Eu.

Eu sou o sujeito central,

Meus são os objetos periféricos.

E esses objetos são velhos companheiros meus,

Crudelíssimos tiranos,

Desde o meu nascimento,

Poucos decênios atrás.


 

Esses objetos são velhos companheiros,

Onipotentes ditadores,

Do gênero humano,

Há muitos séculos e milênios.


 

Haverá esperança de que eu possa

Realizar a minha libertação?

Que eu possa viver, aqui na terra,

Sem esses objetos escravizantes?

Sem esses queridos "meus"?

Sem esses idolatrados fetiches?...


 

Não! Ninguém pode desfazer-se desses ídolos

E continuar a viver.

Já compreendi que iniciação

Não é algo que eu possa adicionar

À minha vida horizontal,

Como um belo enfeite,

Como um colar de pérolas.


 

Compreendi que iniciação,

A morte total desta vida,

E algo inédito e inaudito,

Até agora vivida...


 

Iniciação não é continuação

De algo preexistente.

Não!


 

É o fim de tudo que foi e é.

E o início de tudo que deve ser...

Iniciação é algo virgem,

Um novo "fiat lux" creador.

Não é remendo novo em roupa velha,

Não é vinho recente em odres gastos.

Não!


 

Iniciação é morte total

Do "homem velho",

E ressurreição integral

Do "homem novo".

Nem um átomo da bagagem do ego

Passa para além da fronteira.

Porque o ego só conhece o que é "dele",

E ignora o que é "ele".


 

O meu verdadeiro

Eu nada sabe

Desse mundo dos meus,

Desses pequenos e grandes nadas

Que parecem ser algo.

Iniciação é verdade suprema,

Incompatível com a menor das ilusões.


 

Ergue-te, pois, sobre asas levíssimas,

Meu grande Eu divino,

Meu átomo crístico!

E lá das excelsas alturas

Dominarás todos os "meus",

Sem seres por eles dominado...

-Por Humberto Rohden