quinta-feira, 8 de julho de 2010

Quando caem os Heróis

heroi

Quando menino, lembro-me de que ao assistir os filmes do Super Homem, achava fantástico que, apesar de todas as dificuldades, ele sempre vencia; enquanto meus colegas choravam ou se angustiavam nas “horas difíceis”, eu mantinha a calma, dentro da minha certeza infantil, o “Meu Herói” só levava pancada do vilão porque era bom; afinal era preciso dar um “pouco de esperança ao vilão, senão perdia a graça”, pensava eu.

Hoje já crescido em idade, deixei de ter a visão do herói fantástico do cinema, aquele imbatível, invencível, a imagem de todo o bem. Humanizei meus heróis. Passei a vê-los capazes de muitos acertos, poucos erros e mínimos defeitos.

Reconheço, porém, que ainda assim, trago um erro de concepção, pois mesmo tendo-os como humanos, ainda os faço super.

Esta imagem de super com a qual “vestimos” nosso herói, seja ele nosso Pai, amigo ou ídolo do time de coração, tornar-se muitas vezes injusta para quem a usa e cruel para conosco. Pois junto com a capa do herói, revestimo-los com o poder de controlar nossas emoções. Se acertarem, ficamos felizes, já se erram...

Esta concepção errada esconde em si, o principio de todo o mal, seja aquele que fazemos a nós ou ao próximo: nós transferimos responsabilidades. Nunca somos nós, os capazes de trazer ou levar felicidade; nunca somos nós os responsáveis por nossas próprias ações.

Para isso basta olhar com maior atenção para o que está acontecendo com o goleiro do Flamengo; a moça fez do goleiro o objeto de sua felicidade, seu “herói”, aquele capaz de assegurar-lhe uma vida boa, independente da vontade dele, afinal “herói” tem que fazer e pronto. O goleiro imputou ao amigo a responsabilidade de livrá-lo do problema, já que “herói” resolve tudo. O amigo por sua vez transferiu a outrem, afinal o “herói” tem sempre seus “ajudantes” e assim, foi-se até o trágico fim da história.

Este tipo de atitude, no qual nunca somos responsáveis e conseqüentemente culpados por nossas ações e ou sentimentos, torna-nos seres infelizes, imaturos emocionalmente; seres que permitem que a humanidade de nossos “heróis” diminua em nós nossa própria humanidade. No dia que descobrirmo-nos heróis de nós mesmos e daqueles que estão ao nosso lado (afinal, todos somos, pais, e ou filhos, e ou amigos, etc.), seremos capazes de vestir a capa da responsabilidade por nossas ações, dando assim, o primeiro passo para superar nossa “criptonita” (Ego), tornando-nos seres despertos e conscientes, aos quais Jesus referiu-se ao dizer: Sois deuses (João 10:34).

Por Emerson Tomas

Um comentário:

Marina disse...

Quando caem os Heróis caem as mascaras! Expostas as feridas trazem grande dor, mas é o início de um belo processo!
De crescimento, responsabilidade, doação e conscientização!
Parabéns meu Amor!!!!